segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O despertar e o movimento de saida


  • A expansão natural da vida de uma pessoa, que ocorre junto com o movimento de saída, em geral é usurpada pelo ego e usada para sua própria expansão. "Veja o que eu sou capaz de fazer. Duvido que você consiga fazer isso", diz uma criança a outra quando descobre que seu corpo está ficando mais forte e ágil. Essa é uma das primeiras tentativas do ego de se destacar pela identificação com o movimento para fora e com o conceito "mais do que você" e se fortalecer pela diminuição dos outros. E claro que isso é apenas o começo dos seus muitos erros de percepção. 

  •  Entretanto, à medida que nossa consciência aumenta e o ego deixa de controlar nossa vida, não temos que esperar até que nosso mundo encolha ou entre em colapso por causa da velhice ou de uma tragédia pessoal para despertarmos para o propósito interior. Como a nova consciência está começando a surgir no planeta, é cada vez maior o número de pessoas que já não precisam ser sacudidas para despertar. Elas abraçam esse processo de modo voluntário até mesmo enquanto ainda estão envolvidas no ciclo de crescimento e expansão. Quando esse ciclo deixar de ser usurpado pelo ego, a dimensão espiritual entrará tão poderosamente no mundo através do movimento de saída - pensamento, fala, ação, criação - quanto por meio do movimento de retorno - silêncio, Ser e dissolução da forma.

  •  Até agora, a inteligência humana, que não é mais do que um aspecto minúsculo da inteligência universal, tem sido distorcida e mal empregada pelo ego. Chamo isso de "inteligência a serviço da loucura". A fissão nuclear requer uma inteligência superior. Usar essa inteligência para fabricar e estocar bombas nucleares é loucura ou, na melhor das hipóteses, uma estupidez extrema. A estupidez em si até pode ser inofensiva, porém a estupidez inteligente é extremamente perigosa. Ela está ameaçando nossa sobrevivência como espécie, e há incontáveis exemplos óbvios disso.

  •  Quando livre do desajuste provocado pelo distúrbio egóico, a inteligência entra em pleno alinhamento com o ciclo de saída da inteligência universal e seu impulso para criar. Passamos a ser participantes conscientes da geração da forma. Os criadores não somos nós, e sim a inteligência universal, que atua por nosso intermédio. Como não nos identificamos com o que produzimos, não nos perdemos no que fazemos. Estamos aprendendo que o ato da criação pode envolver energia da mais alta intensidade, mas que isso não é um "trabalho duro" nem estressante. Precisamos compreender a diferença entre estresse e intensidade, como veremos. A luta e o estresse são sinais de que o ego voltou, assim como nossas reações negativas diante de obstáculos.

  •  A força por trás do desejo do ego cria "inimigos", isto é, a reação na forma de uma força oposta de igual intensidade. Quanto mais forte o ego, mais forte o sentido de separação entre as pessoas. As únicas ações que não causam reações opostas são aquelas que se destinam ao bem de todos. Elas são inclusivas, e não exclusivas. Unem em vez de afastar. Não são para "meu" país, mas para toda a humanidade; não são para "minha" religião, mas para o surgimento da consciência em todos os seres humanos; não são para "minha" espécie, mas para todos os seres sencientes e para toda a natureza. 

  • Também estamos aprendendo que a ação, embora necessária, é apenas um fator secundário na manifestação da nossa realidade externa. O fator primário na criação é a consciência. Não importa quanto sejamos ativos, quanto esforço realizamos, nosso estado de consciência cria nosso mundo. Portanto, se não houver uma mudança nesse nível interior, a quantidade das ações que executamos não fará diferença. Vamos apenas recriar novas versões do mesmo mundo vezes sem conta, um mundo que é um reflexo externo do ego.